Volti Nel Buio
Naquela noite não havia mais ninguém na rua, além dela e de sua sombra deformada, as ruas estavam umedecidas pela garoa fina que caia no asfalto.
Era impossível enxergar bem com os olhos forrados de lágrimas, irrealizável escutar outro som que não fosse ao dos batimentos cardíacos que ecoavam nos ouvidos, a dor entorpecia, qualquer que fosse seu final, naquela noite, não seria tão cruel quanto aquela dor que estava dilacerando seu peito.
E era esta dor que tinha um som, um cheiro, um gosto...gosto penoso, definitivamente não era confortável sentir o gosto acidulado de seu próprio veneno.
Com a respiração ofegante, os olhos cobertos de lágrima acharam um canto escuro e sem sombra de vida, qualquer que fosse, sentou-se abraçando os joelhos, mentalmente o filme passavam-se milhões de vezes em sua cabeça e mesmo assim nada fazia sentindo ainda.
Uma lágrima esgueirou-se. A cada momento que se passava o terror possuía ainda mais aquele corpo e os olhos cor de mel arregalados, percorriam o cenário escuro incessavelmente, poderiam a qualquer momento saltar de suas órbitas devido a rapidez, um corpo elétrico que estava em estado máximo de tensão.
- M-mas não fui eu...Eu não posso !- a voz estrangulada saiu quase tendo um ataque de pânico
-Eu sei- uma voz imponente e máscula soou
Um grito horripilante rasgou o silêncio de tal forma que os ecos poderiam ser ouvidos a milhões de quilômetros.
-Quem é você?- perguntou girando a cabeça de forma frenética, procurando o corpo do qual saiu a voz
O gosto áspero do medo que invadiu sua boca, e de repente parecia que o oxigênio havia se esgotado e o corpo já sem força tentava sugar os últimos vestígios de ar, mas seus olhos pesavam, um buraco negro puxa-lhe o corpo afim de carrega-lo para um sono profundo e sua última lembrança foi braços fortes carregando seu corpo já inerte, incapaz de lutar.