O livro


Amarra-me pelos pulsos e faz com que
escravizado eu seja, virando página após página,
dor após dor, imergindo me na insanidade cruel.
A pele dos dedos em carne viva, queimam
e como se ferroado fosse
o pecado cheio de vontade, eu cometo.
O sangue quente que jorra como se drenado fosse,
atordoa-me e todas as palavras
selvagens, apaixonada e doces
sussurram calorosamente enquanto desfaleço
 E caio...
neste prazer árduo.
Dolorosamente doce, ela  me encanta, eu fujo,
mas meus pés  encontram-se infincados
nesse paraíso doentio.
Terminações nervosas explodem,
entranhas se  arrancam,
a ansiedade corta-me ao meio!
Mas ainda sim, sobrevivo
pelo doce prazer de cada página adiante.